‘Minha filha foi diagnosticada com distúrbio por causa do isolamento’, conta advogada

 ‘Minha filha foi diagnosticada com distúrbio por causa do isolamento’, conta advogada

Cerca de 860 milhões de crianças do mundo todo saíram um dia das aulas e na manhã seguinte não puderam voltar à escola, nem brincar com seus amigos, visitar os avós ou correr ao ar livre. Enquanto o número de contágios e mortes por coronavírus aumentavam com o passar dos dias e semanas de confinamento, os problemas de saúde mental também cresciam, mas de forma silenciosa.

Os problemas de saúde mental têm a ver não só com o medo de um vírus invisível, mas também com o distanciamento social. Vários estudos preliminares apontam a relação entre longas quarentenas e maior angustia psicológica, que pode se manifestar como pesadelos, terrores noturnos, medo de sair de casa de que seus pais voltem ao trabalho, irritabilidade, hipersensibilidade emocional, apatia, nervosismo, dificuldade de concentração e até um leve atraso no desenvolvimento cognitivo da criança.

Precisamos trabalhar a empatia antes de julgar pais que querem que os filhos voltem às aulas, assim como também devemos entender aqueles que não querem. Carolina Kramer, advogada de Santo André e mãe da Gabriela de apenas 4 anos, defende o retorno às atividades por uma questão de saúde.

De acordo com a advogada, no primeiro mês a família fez completo isolamento. As compras eram todas retiradas no supermercado sem contato algum. As visitas aos avós eram feitas dentro do carro e de máscaras, até a colaboradora foi dispensada, mesmo não precisando de transporte público. ‘Minha filha começou a sentir muito. Voltamos com a colaboradora – o que permitia passarmos mais tempo com ela e menos com a casa -, e passamos a visitar as avós, sem comer com eles e sem compartilhar objetos. Ela melhorou um tempo, mas logo voltou a ficar mal’ conta Carolina Kramer que, por ser asmática, também tinha muito medo do vírus.

‘Comecei a ver que o isolamento não estava fazendo sentido quando, mesmo depois de flexibilizarmos bastante coisa, minha filha seguia dizendo que se sentia triste. Chegou a passar dias sem querer tirar o pijama. Deitava no sofá e não queria fazer nada. Nesse momento sentimos que a escola precisava existir. Em uma live da escola, logo após ouvir o nome dela, se jogou no sofá e começou a chorar. Consultamos um pediatra, que diagnosticou minha filha com Distúrbio do Comportamento com Isolamento Social Prolongado.’ conta Carolina Kramer.

crianças depressivas com isolomento social no vipzinho

O pediatra prescreveu psicoterapia, equoterapia, calmante e recomendou esportes, viagens (até mesmo para a praia), contato com natureza, agendar brincadeiras com amigos e medidas de flexibilização mais extensas. Doenças mentais (depressão, ansiedade e ideação suicida), dos déficits de aprendizagem não sanados, das crianças abusadas sem contato com nenhum adulto de confiança, do risco nutricional, da falta de habilidades sociais são listados pela Associação Americana de Pediatria como recomendação para a volta às aulas.

Carolina Kramer, diante de todas essas dificuldades, está realizando uma petição nas mídias sociais para o retorno das aulas presenciais em Santo André. Se você apoia o retorno, clique aqui e assine.


Escolas voltam a fechar na França

Dessas 22 escolas, 12 estão localizadas na Ilha de Reunião, um território ultramarino francês no Oceano Índico. O número não representa nem 1% das 60 mil instituições que tem no País. O mais justo seria comparar São Paulo a Paris (capitais), onde nenhuma escola foi fechada devido ao aumento de casos.

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